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Ananda - A Nova Mercearia Bio em Oeiras

A Ánanda - Mercearia Biológica é uma nova Mercearia com certificação biológica, que abriu recentemente em Oeiras, com o objetivo de fomentar o consumo sustentável, local e ético.

Papa Figos com Dia Aberto - 1 de Maio - Cartaxo

O Dia Aberto Papafigos decorrerá no dia 1 de maio de 2017, das 10:00h às 17:00h, na Quinta do Figueiral, na Ereira, Cartaxo. Neste evento serão apresentadas técnicas de Agricultura Biológica e Permacultura. 


Certificação em AB

 

CONTROLO E CERTIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO BIOLÓGICA

© Fernando Serrador

 

1. Razões do controlo e certificação

 

            Ao nível da regulamentação europeia aplicável, podemos desde logo constatar nos seus considerandos preliminares, que a sua adoção “desempenha um papel cada vez mais importante no quadro da política agrícola e está estreitamente ligada à evolução dos mercados agrícolas”, além de pretender “garantir uma concorrência leal e o funcionamento adequado do mercado interno dos produtos biológicos, bem como manter e justificar a confiança dos consumidores nos produtos rotulados como tal.”      Por outro lado, a crescente procura dos produtos biológicos, frequentemente associada a um preço mais elevado, pode levar ao desenvolvimento das possibilidades de fraudes ou de irregularidades ou desvios face às exigências definidas, o que vem fundamentar a necessidade de um controlo em todas as fases do processo de produção e preparação do produto até à sua colocação no mercado, bem como da certificação dos produtos finais ou acabados, sejam eles produtos agrícolas primários ou produtos transformados.

            Com o desenvolvimento do sector da produção biológica, um pouco por todo o mundo, assim como dos fenómenos de crescente globalização e comércio internacional, a distância entre o produtor e o consumidor aumentou tanto que, na maioria das vezes, já não há contacto entre essas duas partes.

            Deste modo, impõe – se, naturalmente, a intervenção de entidades independentes, chamadas de “terceira – parte”, isto é, os organismos de controlo e certificação, no sentido de poderem verificar e atestar a conformidade dos produtos.

            Só assim é possível facilitar as trocas comerciais destes produtos, cuja certificação assegura o reconhecimento da sua equivalência, de modo transparente, para além de transmitir a confiança adequada no seio dos diferentes agentes do mercado e junto do consumidor.

 

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2. Enquadramento normativo

2.1. Normas da qualidade

            Os requisitos gerais para os organismos de certificação de produtos estão definidos na norma da qualidade NP / EN 45011, correspondente ao Guia ISO / IEC 65. No entanto, pode dar – se o caso de um organismo apenas proceder à inspecção, não abrangendo a certificação de produtos, aplicando – se então a norma da qualidade ISO 17020, que define os critérios gerais para o funcionamento de diferentes organismos de inspeção.

            As normas da qualidade apontam para um conjunto de requisitos gerais ao nível da organização, do funcionamento, da eventual subcontratação (por exemplo, em caso de ensaios laboratoriais realizados no exterior, os laboratórios devem estar acreditados de acordo com a norma da qualidade ISO 17025, além da necessidade de contrato escrito entre este e o organismo), do sistema da qualidade, do pessoal ao serviço, da confidencialidade, dos procedimentos de avaliação (controlo) e certificação, do acompanhamento da utilização dos documentos e marcas de conformidade, da realização de auditorias internas e revisões pela direção, assim como dos eventuais recursos e reclamações.

 

2.2. Regulamentação europeia

            Ao nível da União Europeia, o Reg. (CE) n º 834 / 2007, modificado, define a aplicação e sujeição ao “sistema de controlo”, nos artigos 27º e 28º, além dos requisitos do “controlo”, no Reg. (CE) N º 889 / 2008, modificado, nos artigos 63º a 92º.

            Assim, todo o operador que produza, prepare, armazene, distribua ou importe de um país terceiro produtos biológicos, para a sua posterior comercialização, ou que comercialize, deve submeter a sua atividade ao regime de controlo, podendo os Estados – Membros isentar apenas os operadores que vendam esses produtos directamente ao consumidor ou utilizador final, desde que não produzam, preparem, armazenem – a não ser em conexão com o ponto de venda – nem os importem dum país terceiro.

            Cada Estado – Membro pode optar entre um dos seguintes sistemas de controlo:

A - Sistema operado por organismos privados reconhecidos pela autoridade competente.

B – Sistema operado por uma (ou mais) autoridade(s) designada(s) de controlo.

C – Sistema operado por uma (ou mais) autoridade(s) designada(s) e controlo e por organismos privados reconhecidos (sistema misto, do tipo A + B).

A maioria dos países da União Europeia viria a adotar o sistema do tipo A, entre os quais Portugal, França, Bélgica, Alemanha, Reino Unido e Itália.

Em 6 outros casos optou – se pelo tipo B (Dinamarca, Estónia, Finlândia, Lituânia, Malta e Holanda), enquanto que nos restantes 4 pelo tipo C (República Checa, Luxemburgo, Polónia e Espanha).

            No caso português, já houve sucessivas autoridades competentes ao nível nacional (ex – IQA, ex – IMAIAA, ex – DGDR, ex – IDRHa e GPP), as quais tiveram diversas funções, como sejam, nomeadamente, o reconhecimento dos organismos de controlo e certificação, bem como da sua supervisão, além da ligação com as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, cada uma delas contando com uma autoridade regional para o efeito.

            Por outro lado, estão em funcionamento, por ordem cronológica do seu reconhecimento (no Continente), as seguintes organizações: a Agricert, a Certiplanet, a Certis, a Codimaco, a Ecocert – Portugal (ex – Socert – Portugal), a Sativa, a SGS – Portugal e a Tradição e Qualidade, cada uma com o seu nº de código (tipo PT-BIO-XX), relativo ao reconhecimento como organismo de certificação.

Entretanto, deve referir – se que destes organismos, apenas dois deles mantêm a especialização no âmbito da produção biológica (a Certiplanet e a Ecocert – Portugal), recusando certificar, em simultâneo, produtos convencionais, como os da chamada proteção / produção integrada, DOP, IGP ou ETG, situação que traduz diferentes vocações, posições éticas e políticas assumidas pelos diferentes organismos, os quais atuam num mercado concorrencial, desde logo, com contextos distintos de atuação.

A regulamentação europeia prevê, portanto, um conjunto de deveres e compromissos a tomar pelos produtores, por um lado, bem como pelos organismos de certificação que estejam reconhecidos e pelos próprios organismos oficiais competentes, que devem ser do seu conhecimento prévio.

            Com a entrada em vigor do Reg. (CE) nº 834 / 2007, passou ainda a ser obrigatória a acreditação dos organismos de certificação no âmbito da produção biológica, sendo a nível nacional o IPAC – Instituto Português de Acreditação – a entidade responsável para o efeito (ver www.ipac.pt).

 

2.3. Outros referenciais técnicos

Nos países terceiros (fora da União Europeia), existem normalmente outros referenciais técnicos em vigor, como é o caso dos principais países produtores e / ou consumidores de produtos biológicos, como é o caso dos Estados Unidos da América (programa NOP – National Organic Program), do Japão (JAS – Japanese Agricultural Standart), da China, da India, do Brasil, entre outros.

No caso de operações de importação ou exportação com os países terceiros, pode ser necessária uma re - certificação dos produtos ou o reconhecimento de equivalência face ao referencial técnico em vigor no país importador.

            Por esta razão, estão em curso diversas negociações ao nível internacional, no sentido de uma maior harmonização das normas aplicáveis à produção biológica, de modo a eliminar possíveis barreiras comerciais.

            Neste domínio, têm ganho um papel interessante as orientações emanadas ao nível do Codex Alimentarius, que não constituindo lei, assumem um papel de referência (Serrador, 2007), para além das iniciativas levadas a cabo pelo projeto GOMA (Global Organic Market Access).

            Por outro lado, existe também uma grande diversidade de cadernos de especificações, seja reconhecidos ao nível nacional nalguns países, mesmo na União Europeia, seja ao nível privado, os quais são normalmente aplicados a produtos até à data não abrangidos pela regulamentação europeia, como é o caso, a título de exemplo, da restauração coletiva, dos produtos florestais não alimentares, dos têxteis, dos cosméticos, dos coelhos, do sal tradicional ou dos fertilizantes utilizáveis em agricultura biológica.

Finalmente, algumas organizações propõem conjuntos de especificações mais restritivos que a regulamentação europeia, como é o caso dos “standarts” da Demeter (agricultura biodinâmica) ou da Soil Association (Reino Unido), por exemplo, com marcas de qualidade associadas.

 

3. Principais etapas do processo de controlo e certificação

Todo o requerente deve ter acesso ao serviço de controlo e certificação junto do organismo que escolher, sem quaisquer medidas discriminatórias.

Deve notar – se que a regulamentação europeia estabelece a aplicação do sistema de certificação ao nível do operador (entidade individual ou colectiva), apenas permitindo a chamada “certificação de grupo” para os produtos obtidos em países terceiros, em vias de desenvolvimento, como seja, ao nível de grupos de produtores, destinados a ser importados nalgum país da União Europeia.

Neste caso, deve existir um sistema de controlo interno, o qual deve ser periodicamente auditado, para além da realização de controlos diretos por amostragem junto dos pequenos produtores (ou coletores de plantas espontâneas) individuais.

            O processo com vista à certificação inicia – se, normalmente, com o preenchimento de um questionário e da assinatura de um contrato entre o requerente e o organismo de certificação por ele designado, além do pagamento da respectiva tarifa, em função da tabela de preços em vigor no respetivo organismo, a qual deve ser assumida com total transparência.

Posteriormente, é então mandatada a realização da visita inicial de controlo, em data previamente definida entre o produtor e o organismo.

Os principais aspectos a ter em conta durante as visitas de controlo / auditorias, pelos operadores, bem como pelos inspetores / auditores, são mencionados no ponto 4.

No final de cada visita de controlo, quer da inicial, quer em qualquer uma das seguintes, é elaborado um relatório pelo técnico auditor / inspetor (Fig. 1.5.2.), que deve ser também assinado pelo operador (ou pelo seu representante), sendo depois todo o processo apreciado pelo sector ou departamento de certificação, e se necessário, com a obtenção de parecer (não vinculativo) do Conselho de Certificação (Fig. 1.5.4.), que é um órgão consultivo, após o que são então emitidas as respectivas conclusões e as eventuais melhorias a implementar.

No caso da produção vegetal, e sempre que o operador demonstre habilitação para a agricultura biológica, é – lhe normalmente atribuído um primeiro documento, que atesta o início da fase de “conversão à agricultura biológica”, relativa às parcelas em causa, as quais devem constar da sua notificação da actividade, como operador do modo de produção biológico, junto da autoridade competente.

Todos os anos, em caso de renovação do contrato, deverá proceder - se a um controlo físico completo, além de possíveis visitas suplementares, anunciadas ou não, em função da avaliação dos riscos para cada caso e do plano de controlo definido pelo organismo de certificação.

Em caso de avaliação positiva, serão concedidos os documentos de certificação (licença e certificado / prova documental).

O organismo de certificação deve manter uma lista atualizada periodicamente, relativa aos operadores sob controlo e os respetivos produtos certificados, a qual pode ser objecto de consulta por qualquer interessado.

De acordo com a regulamentação europeia, as autoridades competentes devem também publicar na internet as listas gerais dos operadores e produtos certificados.

No entanto, deve ser mantida a confidencialidade de todas as restantes informações recolhidas e constantes nos processos de controlo e certificação dos seus operadores.

 

4. Pontos de verificação / auditoria e documentos a preparar pelos produtores antes do controlo

            Tendo em vista os objetivos da boa execução das etapas do processo de controlo, evitando a adopção de eventuais ações correctivas no sentido de corrigir situações de não – conformidade, da responsabilidade dos produtores, estes devem preparar, com a devida antecedência, os elementos relativos à sua atividade e todos os comprovativos e evidências objectivas da sua conformidade.

            Durante as visitas de controlo, existem diferentes tipos de verificações a realizar por parte dos auditores / inspetores, incluindo os aspetos visuais (ex: parcelas, culturas em curso, produtos em armazém), a possível colheita de amostras para ensaios laboratoriais, mas também outros, de carácter documental (Fig. 1.5.1.), a partir dos quais o produtor deve poder evidenciar a conformidade das operações ao longo de um determinado período de tempo anterior, nomeadamente desde a última visita realizada.

            Assim, e no interesse do produtor, ele deve manter os documentos pertinentes devidamente organizados em dossier próprio para o efeito, os quais serão facultados para consulta pelo auditor / inspector, principalmente na visita anual mais detalhada, incluindo, nomeadamente, os seguintes aspetos:

  • Elementos descritivos das parcelas e unidades de produção (ex: cadernetas prediais, parcelário, levantamento topográfico, mapas de zonas de colheita de plantas espontâneas, contratos de arrendamento ou declarações de cedência).
  • Histórico da exploração e da atividade, incluindo relatórios de controlo e documentos emitidos pelo organismo de certificação em anos anteriores, se for o caso.
  • Dossier com a regulamentação europeia aplicável, contendo as alterações mais recentes em vigor, aplicáveis à actividade em causa.
  • Comprovativo da notificação da atividade (inicial / alteração), exceto no caso da preparação de uma visita inicial de controlo, bem como da notificação relativa às aplicações de cobre em culturas perenes (se aplicável).
  • Lista dos produtos pretendidos para certificação.
  • Registos das intervenções culturais, fertilizações, tratamentos fitossanitários, rotações de culturas e afolhamentos.
  • Relatórios de apoio técnico, plano da exploração, plano de conversão, resultados de análises de solos, água de rega, foliares ou outras, fichas técnicas de fatores de produção adquiridos.
  • Inventário dos stocks de fatores de produção, matérias – primas e produtos agrícolas e géneros alimentícios produzidos e / ou destinados a ser colocados no mercado.
  • Dossier contabilístico contendo as faturas de compras de factores de produção e matérias – primas, as guias de transporte e as faturas de vendas de produtos, cujos volumes devem ser objecto de tratamento, por fornecedores e clientes, respectivamente.
  • Documentos comprovativos da certificação dos fornecedores de produtos, sementes, propágulos e plantas de viveiro biológicas e / ou declarações de conformidade emitidas pelos fornecedores (ex: declaração de sementes não tratadas com produtos químicos interditos em agricultura biológica e / ou não OGM).
  • Subcontratação com entidades terceiras para aprovisionamento de matérias – primas, acondicionamento ou preparação dos produtos (se aplicável).
  • Lista de ingredientes e receitas de produtos transformados, bem como licenciamento da actividade (se aplicável).
  • Tratamento de eventuais reclamações recebidas de clientes.
  • Documentos relativos ao processo de controlo e certificação, incluindo o contrato, os questionários iniciais, a tabela de preços em vigor, os documentos de certificação, fichas explicativas ou publicações, correspondência geral, eventuais pedidos de derrogação e / ou ações corretivas / sanções anteriormente atribuídas e as medidas tomadas para o seu tratamento.
  • Rótulos e meios de publicidade relativos aos produtos biológicos.

Compete ainda ao organismo de certificação proceder às ações de acompanhamento e controlo junto dos pontos de venda dos produtos certificados em nome dos seus operadores, em geral (Fig. 1.5.3.).

Finalmente, é de todo o interesse que o produtor se mantenha informado acerca das alterações sucessivas da regulamentação europeia (15 alterações entre 2007 e 2012 - Serrador, 2007) e das disposições da legislação geral, solicitando possíveis esclarecimentos junto do seu organismo de certificação, sempre que surjam dúvidas ou questões de interpretação e aplicação das exigências definidas.

 

5. Situações de não – conformidade, ações corretivas e sanções

Para facilitar o processo de decisão e garantir a sua imparcialidade, cada organismo deve desenvolver uma lista de possíveis situações de não – conformidade, a detetar nas visitas de controlo / auditorias, a que devem corresponder as respetivas ações corretivas / sanções, segundo critérios objectivos previamente definidos, e cujas decisões, em matéria de certificação, devem ser enviadas ao operador.

Naturalmente que o nível de gravidade das situações é muito variável, como se pode ver no quadro 1, a seguir referido, indo desde a simples “Observação” (sem efeito penalizador no futuro) até à “Suspensão / Anulação da Licença”.

 

Quadro 1 – Tipos de ações corretivas / sanções e exemplos práticos (Serrador, 2011).

 

Observação /

Oportunidade de Melhoria

Ex: Ausência de plano de rotação, em culturas anuais

Pedido de Melhoria

com prazo de implementação a definir (ex: indicação incompleta na rotulagem dos produtos

Exigência de Controlo e / ou Análise Suplementar

Normalmente associada a um bloqueio provisório da certificação, até que seja obtido o resultado de novo controlo ou avaliação (ex: elevado risco de mistura de matérias – primas, em unidades de transformação mista, com laboração simultânea em produção biológica e convencional

Certificação Bloqueada

Por falta de garantias ou de informações necessárias com vista à concessão do certificado, até que a situação seja colmatada (ex: falta de plano de conversão, em caso de existência das mesmas variedades de culturas perenes, conduzidas simultaneamente em agricultura biológico e convencional

Advertência

Situação que exige uma correção imediata (ex: aquisição de produtos interditos na agricultura biológica, embora não utilizados, os quais devem ser imediatamente devolvidos ou retirados das unidades de produção em modo de produção biológico

Desclassificação de Parcela(s) e de Produto(s)

Suspensão da certificação (ou a sua não atribuição), relativa a um ou mais produtos, durante um período a definir, com a desclassificação da(s) parcela(s) de terreno correspondente(s), que deve(m) re – iniciar a fase de conversão (ex: utilização de produto interdito na agricultura biológica, em determinada parcela, por razão fundamentada e previamente comunicada ao organismo de certificação

Desclassificação do Produto

Suspensão de certificação (ou a sua não atribuição), relativa a um ou mais produtos, durante um período a definir, com a desclassificação do seu todo, de uma parte ou de um lote específico (ex: utilização de fungicida pós – colheita, interdito em agricultura biológica

Suspensão / Anulação da Licença (ou a sua não atribuição

Durante um período a definir (ex: aplicação deliberada de adubos e / ou pesticidas químicos de síntese, interditos em agricultura biológica

 

Sempre que um operador entenda justificável, ele pode recorrer da decisão que lhe foi anteriormente comunicada. Para isso, ele deve enviar o pedido de recurso, por escrito, num prazo definido pelo organismo de certificação (ex: 30 dias) , o qual deverá ser objecto de apreciação por pessoas diferentes das que intervieram antes no processo de controlo e certificação - pode ser o caso de um Comité de Recursos - sendo posteriormente comunicada ao operador a decisão tomada.

O organismo de certificação deve também proceder ao tratamento de todas as reclamações recebidas a partir dos clientes dos seus operadores, assim como as que possam ser emitidas pelos próprios operadores, relativamente ao desempenho do organismo ou do seu pessoal ou colaboradores, durante as etapas do sistema de certificação.

Em ambos os casos, devem ser tomadas as medidas adequadas e as ações corretivas a implementar, se necessário.

 

6. Casos de suspensão, anulação ou não atribuição da certificação

A verificação de situações de não - conformidade de maior gravidade durante as visitas de controlo pode implicar a suspensão / anulação da licença ou a sua não atribuição, durante um determinado período, a definir pelo organismo de certificação, para cada caso - tipo.

Em consequência disso, o operador ficará impedido, durante aquele período, de utilizar quaisquer indicações alusivas à produção biológica na rotulagem e / ou na publicidade dos seus produtos.

Tendo em conta as possíveis consequências negativas que este tipo de situações pode assumir, na generalidade dos casos, para todas as partes envolvidas, apresentam – se em seguida, no quadro 2, algumas das principais causas que podem levar à suspensão / anulação da Licença.

 

Quadro 2 – Exemplos de situações de não – conformidade que podem levar à suspensão / anulação da licença (Serrador, 2011).

 

 

  • Recusa de controlo pelo operador (ex: recusa ou impedimento de acesso do auditor / inspetor às unidades de produção; recusa de resposta às questões formuladas pelo auditor / inspetor; ausência repetida do operador em caso de controlo comunicado pelo organismo, com a devida antecedência).
  • Recusa de acesso aos elementos da contabilidade das compras e vendas.
  • Recusa ou impedimento da colheita de amostra(s) para ensaios laboratoriais.
  • Constatação pelo auditor / inspetor de abandono do modo de produção biológico, com retorno à atividade convencional.
  • Utilização deliberada de produtos interditos na produção biológica.
  • Utilização deliberada de ingredientes, aditivos, auxiliares tecnológicos ou processos de fabrico não autorizados no modo de produção biológico.
  • Deteção de resíduos de produtos não autorizados em amostras colhidas para ensaios laboratoriais, com fortes indícios de fraude.
  • Re – incidência sucessiva de casos de não – conformidade que impliquem a atribuição de outras sanções de gravidade, como por exemplo, do tipo “advertência” e / ou “desclassificação de produtos e / ou de parcelas” ou a não implementação das sucessivas ações corretivas solicitadas pelo organismo de certificação.

 

 

Note – se que o organismo de controlo e certificação tem as suas funções e responsabilidades definidas e enquadradas pela regulamentação europeia e pela norma da qualidade aplicável.

Assim, por exemplo, em caso de deteção de fraude, ele deve transmitir a informação pertinente junto da autoridade competente na sua supervisão e reconhecimento, que a deve encaminhar para os organismos de intervenção com poderes para o efeito (ex: ASAE), sem prejuízo de eventual ação judicial contra os seus autores, sempre que se suponham danos ou prejuízos diretos ou indiretos para o organismo de controlo e certificação.

 

Referências bibliográficas

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